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Banho Quente e caro

publicado em: 10/07/2013

Responsável por 43% do consumo de energia residencial durante o inverno, o chuveiro elétrico torna a energia, mais honrosa para todos. Mas é possível.


No inverno, um banho quente não sai impune para a grande maioria dos brasileiros. Junto com o frio a estação revela um vilão: o chuveiro elétrico. Presente em 72% dos lares Brasil afora, ele é responsável por 43% do consumo de energia em uma residência padrão (quatro pessoas), nesta época do ano de acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Sem direito a um selo de instituição, diferente do restante dos eletrodomésticos, o chuveiro elétrico não deve ganhar eficiência no correr dos anos. Ou seja, ele vai consumir cada vez mais energia quando comparado a seus pares. Sua substituição, no entanto é possível para alguns e promete contas de luz mais amigáveis e uma consciência ecológica em paz.

Invenção brasileira da década de 1930, o chuveiro elétrico é uma resposta simples para uma questão complexa. Barato e fácil de instalar, ele vence, em custo inicial, trabalho e burocracia, suas principais alternativas: os aquecedores solares e a gás que exigem investimento em equipamentos mais sofisticados ou infraestrutura. O produto é viso por alguns como temeridade: misturar água e eletricidade pode parecer bastante perigoso para quem não é daqui. Logo, este problema ecológico é coisa nossa.

Segundo estimativa o Procel, o chuveiro responde por 24% de todo o consumo residencial de energia no país durante o ano. Se considerarmos que a energia gasta em residências brasileiras significa aproximadamente 26% de tudo que é gasto no país, é possível dizer que o chuveiro come certa de 6% (28 Twh) desse total. Para o efeito de comparação, o montante equivale a um terço de tudo o que foi produzido no ano passado pela hidrelétrica Itaipu a maior usina de geração de energia elétrica do mundo.

Contudo o problema do chuveiro não é apenas a quantidade de energia consumida por ele, mas também o seu horário de uso. Assim como outros eletrodomésticos, ele usado em um “horário de ponta”. Ou seja, normalmente é ligado por todos ao mesmo tempo, entre 18h e 21h. Neste momento o Sistema Elétrico Nacional fica sobrecarregado e as distribuidoras são obrigadas a comprar energia para satisfazer toda a demanda. No mercado, quem vende estes excedentes são as termelétricas. Sujas, elas deixam o valor do Kwh mais caro, o que pesa não só no bolso dos consumidores, como afeta o lucro das distribuidoras e as contas do governo.

Se conseguíssemos reduzir esse equipamento de ponta, o valor do Kwh se reduziria e a necessidade de construir termelétricas também – explica a pesquisadora Claude Cohen, professora adjunta do Departamento de Economia da UFF e colaboradora do Programa de Planejamento Energético de Cope/UFRJ.


Ineficiente toda vida

Não parece haver solução para quantidade de energia consumida pelo chuveiro elétrico. O Procel sequer dá seu famoso selo a ele. Segundo nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o programa avalia “critérios de desempenho energético” para diferenciar os chuveiros elétricos dando selo aos mais eficientes. Segundo Claude, porém, os equipamentos é tão simples que é difícil encontrar uma forma de fazê-lo consumir menos.

Hoje, quando comparado ao ar-condicionado, ele perde em consumo de Kwh por ano, mas daqui dez anos deve chegar ao primeiro lugar deste Ranking nada louvável, com um consumo de 500Kwh ao ano. Em dez anos, ares-condicionados mais modernos e econômicos consumirão 0,9% a menos de energia, e o chuveiro não muito afeito a inovação 0,4%a mais. Isso porque a população com um poder de consumo maior, deverá optar por chuveiro cada vez mais potentes e mais sedentos por energia. Ser ecologicamente correto custa conforto na hora do banho, mas o problema não é apenas de boa vontade. Falta a rede de gás para fornecer alternativas – explica Claude. – Não é só uma questão de conscientização.

Salvo exceções, para ter um chuveiro com aquecedor a gás é necessário que o encaremos menos chegue até você. Apenas 2,3 milhões ou cerca de 3% dos domicílios brasileiros tem acesso a esse serviço – sendo que mais da metade fica em São Paulo. Mesmo no Rio, proporcionalmente o estado mais bem servido no requesito, há pouco mais de 800 mil residências, em 64 municípios, atendidas pela CEG. Até 2016, a empresa espera expandir suas bases de clientes para 1 milhão construindo 900 quilômetros de novas redes.

Resta, então o aquecimento solar. O equipamento é bem mais caro do que um chuveiro elétrico, mas normalmente o investimento volta em até energia elétrica, o sol é gratuito.

Só mesmo em dias seguidos de chuva o aquecedor para suprir a demanda, é necessário voltar a temporariamente a consumir energia elétrica ou gás para aquecimento.


Banho Quente e Caro

Quem mora em casa pode adquirir seus aquecimentos solar por um orçamento que vai de R$ 1,7 mil a R$ 6 mil, dependendo do tamanho do imóvel. Já os moradores dos apartamentos dependem em grande parte das construtoras. Para que um prédio tenha aquecimento solar, são instalados coletores no terraço e a tubulação é construída de forma que a água quente gerada lá em cima chegou para todos os apartamentos. Se o edifício foi construído sem essa preocupação, é muito difícil, mas não impossível, instalar os aquecedores solares.

Por mais que a quantidade de residências com sistema de aquecimento solar ainda seja pequena, há muitos aparelhos de fabricação brasileira – Logo, não há a dificuldade, encontrada pelos painéis fotovoltaicos, para a importação de equipamentos. O empresário mineiro Carlos Felipe Cunha, o “Café”, grande especialista do setor, calcula, que haja cerca de 150 fábricas de aquecedores do tipo no Brasil.

Belo Horizonte e São Paulo já estão bem avançados na implementação dos coletores solares para este fim. A capital paulista ganhou uma lei em 2008 que obriga todos os novos prédios a terem o equipamento. Já em Minas Gerais, onde há gás encanado, os belo-horizontinos exigem o sistema, de acordo com Cunha. Por isso, um construtor que aspira ao sucesso nas vendas fica na obrigação de implantar o aquecedor solar. Cunha ajudou a escrever a lei de São Paulo e tentou fazer o mesmo no Rio. Mas ele conta que o projeto “não foi adiante”. Tem essa pressão de setor de construção civil – lamenta. – Em são Paulo,. Havia vontade política e isso foi superado.

Presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Rio (Ademi), João Paulo Matos, não vê má vontade mais sim falta de espaço. Segundo ele, é mais rentável para o construtor vender uma cobertura do que disponibilizar espaço para os coletores solares: Na cobertura, a área (na superfície da parte construída) é muito pequena, têm uns 50 metros quadrados. E sempre tem que ter espaço para por a caixa d’água e as antenas.

Diretor de Engenharia da Scon Construção Leandro Ceotto discorda. Tanto que trabalha em parceria com a GEP, no empreendimento Reserva Natural Residencial, em Niterói onde há cobertura e sistema de aquecimento solar. Segundo ele, o custo para quem compra os apartamentos fica em R$ 2 Mil, ou pouco mais de 1% do valor de compra dos imóveis mais baratos. Ceotto explica que como os equipamentos vêm ganhando eficiência, ocupam áreas cada vez menores.

Poucas empresas usam este tipo de solução, pois em alguns casos o custo ainda é representativo. Seria muito interessante se o governo oferecesse algum tipo de incentivo, opina o diretor.

Procurado, o Ministério de Minas Energia informou que não há um programa nacional para o setor, mas várias políticas, como isenção de Impostos sobre Produto Industrializados para os aparelhos de aquecimento solar. Segundo especialistas, a iniciativa mais importante do governo federal sobre o tema é a implementação do sistema em empreendimentos da Minha Casa Minha Vida. Segundo relatório da Caixa Econômica de 2012 há mais de 100 mil unidades contratadas que receberão o equipamento. A economia é de cerca de 30% por ano na conta de luz, em média R$190. Segundo Cunha, há casos de famílias que economizam R$0 por mês.

Hoje ainda há um importante número de brasileiros, cerca de 18% sem nenhum meio de esquentar a água do banho. É possível que, á media que mais pessoas troquem seus chuveiros elétricos por outra opção menos custosas, outro grupo compre o equipamento pela primeira vez. As previsões EPE dizem que, nos próximos dez anos, o suo do equipamento deve cair apenas dois pontos percentuais, para 70% de penetração nos domicílios brasileiros – em ritmo mais lento que o congelador, um vilão deixado para trás desde a época do racionamento. Para isso, considera a expansão da rede de gás canalizada e uma maior penetração no mercado de sistemas de aquecimento solar. .